Sendo Amado e Sendo Odiado

Consideração sobre o lado obscuro de Missões

Procurarei ser sensível na maneira como descreverei esta história — alguns nomes e detalhes foram mudados para proteger o inocente. Esta história chegou a mim por um e-mail que recebi depois de falar em outro Estado.

Havia terminado minha segunda palestra àquele grupo, enfatizando a soberania de Deus no sofrimento e mesmo no martírio. Uma das mulheres presentes àquela conferência (eu a chamo de Mary) descobriu que uma de suas amigas (eu a chamo Raquel), que ela não encontrava havia dez anos, estava hospedada numa casa próxima ao lugar da conferência. Elas se reencontraram. Raquel disse que dez anos antes, quando seguiram caminhos diferentes, ela se mudara para a França (vamos dizer), encontrara e se casara com um ex-muçulmano (eu o chamo de Ahmed), convertido a Cristo. Haviam retornado da França fazia três anos.

Neste ano, uma semana antes da conferência em que eu estava pregando, Ahmed retornou à sua terra natal, no Norte da África, para tratar de questões familiares. Levou consigo secretamente algumas Bíblias para os crentes. Abreviando uma história complicada, Ahmed foi descoberto, preso e torturado. Mary enviou-me um e-mail e disse: “O julgamento dele é hoje; e, se for declarado culpado, será executado”. Enquanto escrevo esta meditação, a perspectiva é mais positiva. Contudo, isto não é o mais importante.

O mais importante é o que ela disse a respeito de Raquel durante aquela crise. Mary disse que Raquel era um exemplo vivo de fé no cuidado soberano de Deus, enquanto esperava o resultado do julgamento de seu esposo, estando distante 5.000 quilômetros. Suas palavras foram: “Ela está proclamando a soberania de Deus apenas com seu comportamento. Sinto-me tão humilhada quando a vejo atravessar esta situação, observando que não me pareço com ela. No entanto, por sua graça, Deus está me mudando, para que eu O glorifique por meio das provas que Ele determinou que eu e minha família passemos”.

Por que contar esta história? Por que estou orando que Deus, por meio das meditações deste livro, levante crentes como Raquel e Ahmed. Ó Deus, dá-nos homens e mulheres que considerem tudo como perda em troca do supremo valor de disseminar uma paixão por tua supremacia, para a alegria dos povos ainda não alcançados. Senhor, levanta crentes dedicados que conhecem o “lado obscuro de missões” e o considerem o maior gozo.

O que significa “lado obscuro”? Bem, pense na expressão “todas as nações” (no grego, panta ta ethne). Geralmente pensamos nesta frase em conexão com a Grande Comissão, apresentada em Mateus 28.19: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações”. Mas há outro uso desta expressão em Mateus 24.9: “Sereis odiados de todas as nações, por causa do meu nome”. Este é o lado obscuro de missões. O ódio será tão disseminado quanto a colheita.

Diante dessa realidade, que o Senhor levante crentes dedicados que estão dispostos não somente a amarem as nações, mas também a serem odiados por elas. Foi assim que Jesus cumpriu sua missão. Essa é a única maneira de realizarmos a nossa missão. Jesus disse: “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia” (João 15.18-19).

Ore comigo, pedindo a Deus que milhares de crentes atenderão à chamada de serem odiados por amor aos outros. Se o motivo que o impulsiona é ser amado e apreciado, você achará muito difícil ser um crente, especialmente um crente-missionário. Os missionários são pessoas que decidiram que serem amadas por Deus é o suficiente para capacitá-los a amar. Não precisamos ser amados pelos outros. Sim, isso parece bom, mas não é essencial. Amar, e não ser amado, é o essencial.

Ó Senhor, põe o teu Espírito de amor no coração de milhares de crentes, por amor às nações.