Defendendo A Ira Do Meu Pai

Há forças culturais em ação dentro e fora da igreja que me deixam ávido em defender a ira do meu Pai contra mim, antes de eu ser adotado. Ele não precisa da minha defesa. Mas creio que ele será honrado por ela. E ele nos ordena: “Honra teu pai” (Êxodo 20:12).

Eu escrevo isto de Cambridge, Inglaterra, e minha indignação sobre o assalto contra o meu Pai é de origem britânica. A calúnia que tenho em mente é o seguinte parágrafo dum escritor inglês popular:

O fato é que a cruz não é uma forma de abuso infantil cósmico – um Pai vingativo, punindo seu Filho por uma ofensa que ele jamais cometeu. De forma compreensível, pessoas tanto fora como dentro da Igreja têm achado esta versão deformada de eventos moralmente duvidosa e um gigantesco obstáculo à fé. Contudo, pior do que isso é o fato que tal conceito permanece em total contradição à declaração: “Deus é amor”. Se a cruz é um ato pessoal de violência perpetrado por Deus contra a humanidade, mas suportado por seu Filho, então isso é uma zombaria do ensino do próprio Jesus para amar seus inimigos e recusar pagar o mal com mal (Steve Chalke and Alan Mann, The Lost Message of Jesus, [Grand Rapids, MI: Zondervan, 2003], pp. 182-183).

Isto é espetacular vindo de um cristão professo. Em nome do meu Pai que está no céu, gostaria de testemunhar a verdade de que antes dele me adotar, sua ira terrível estava sobre mim. Jesus disse: “Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (João 3:36). A ira permanece sobre nós enquanto não tivermos fé em Jesus. Paulo coloca isso dessa forma: Nós “éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais” (Efésios 2:3). Minha própria natureza me faz digno da ira.

Meu destino seria suportar a “chama de fogo” e a “vingança contra os que... não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus... [e que] sofrerão penalidade de eterna destruição” (2Tessalonicenses 1:8-9). Eu não era um filho de Deus. Deus não era meu Pai. Ele era meu juiz e executor. Eu era um “filho da desobediência” (Efésios 2:2). Eu estava morto em delitos e pecados. E a sentença do meu Juiz era clara e terrível: “Por essas coisas, vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência” (Efésios 5:6).

Havia somente uma esperança para mim – que a infinita sabedoria de Deus pudesse estabelecer um modo do amor de Deus satisfazer a ira de Deus, de forma que pudesse me tornar um filho de Deus.

Isto é exatamente o que aconteceu, e cantarei isso para sempre. Após dizer que eu era por natureza um filho da ira, Paulo diz: “Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo” (Efésios 2:4-5). “Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho... para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos” (Gálatas 4:4-5). Deus enviou seu Filho para me resgatar da sua ira e me tornar seu filho.

Como ele fez isso? Ele fez da forma que Steve Chalke caluniosamente chama de “abuso infantil cósmico”. O Filho de Deus suportou a maldição de Deus em meu lugar. “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar — porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro” (Gálatas 3:13). Se as pessoas no século XXI acham este maior ato de amor “moralmente duvidoso e um gigantesco obstáculo à fé”, não era diferente nos dias de Paulo. “Mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios” (1Coríntios 1:23).

“Mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus” (1Coríntios 1:24). Esta é a minha vida. Este é o único modo que Deus poderia se tornar meu Pai. Agora esta ira não mais permanece sobre mim (João 3:36); Deus enviou o Espírito de adoção ao meu coração, pelo qual clamo Aba Pai (Romanos 8:15). Portanto, eu oro: “Pai celestial, saiba que te agradeço de todo o meu coração, e que meço teu amor para comigo pela magnitude da ira que eu merecia e a maravilha da tua misericórdia ao colocar Cristo em meu lugar.”

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