Tratar Prazer Como Obrigação É Controverso

Prazer Cristão não é novidade.

Então se o Prazer Cristão é coisa antiga, por que é tão controverso? Uma razão é que o Prazer Cristão insiste em dizer que a alegria não é apenas uma consequência da obediência a Deus, mas parte da obediência. Dá a entender que as pessoas estão dispostas a fazer da alegria um subproduto de nosso relacionamento com Deus, mas não uma parte essencial. As pessoas ficam incomodadas ao dizer que estamos obrigados a buscar alegria.

Elas dizem coisas como, "Não busque alegria, busque obediência." Mas o Prazer Cristão responde, "Isso é como dizer, 'não coma maçãs, coma frutas.'" Porque alegria é um ato de obediência. Somos ordenados a nos alegrarmos em Deus. Se obediência é fazer o que Deus ordena, então a alegria não é a mera consequência da obediência, ela é obediência. A Bíblia nos fala diversas vezes em buscar nossa alegria: "Alegrai-vos no SENHOR e regozijai-vos, ó justos; exultai, vós todos que sois retos de coração" (Salmo 32:11). "Alegrem-se e regozijem-se as nações" (Salmo 67:4). "Deleita-te também no SENHOR" (Salmo 37:4). "Alegrai-vos por estar o vosso nome escrito nos céus" (Lucas 10:20). "Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos" (Filipenses 4:4).

A Bíblia não ensina que devemos tratar o prazer como mero subproduto do dever. C. S. Lewis estava certo quando escreveu a um amigo, "É um dever cristão, como você sabe, que todos sejam tão felizes quanto puderem." Sim, é arriscado e controverso. Mas é rigorosamente verdadeiro. Máxima felicidade, tanto em qualidade como em quantidade, é exatamente o que nós estamos obrigados a buscar.

Um cristão sábio descreveu a relação entre obrigação e prazer desta forma:

Imagine um marido que pergunta à sua esposa se ele deveria dar a ela um beijo de boa noite. A resposta dela é: "Você deveria, mas não 'daquele' jeito de dever." O que ela quis dizer é isto: "Se não for uma afeição espontânea o que motiva você a fazer isso, suas iniciativas estarão despojadas de todo valor moral."

Em outras palavras, se não há prazer no beijo, o dever de beijar não foi realizado. O deleitar-se na pessoa dela, demonstrado no beijo, é parte da obrigação, não um mero subproduto.

Mas se isso é verdade - se o prazer em fazer o bem é parte do que significa fazer o bem - então a busca pelo prazer é parte da busca pela virtude. Você já pode perceber por que isso começa a ficar controverso. É a seriedade disso tudo. "Você está falando sério", diria alguém. "Você realmente quer dizer que prazer não é só um jogo de palavras para chamar nossa atenção. Isso na verdade significa alguma coisa completamente, devastadoramente verdadeira sobre a maneira que deveríamos viver. A busca pelo prazer é realmente uma parte necessária de ser uma boa pessoa." Isso mesmo. Eu quis dizer isso. A Bíblia diz isso. Deus quis dizer isso. É muito sério. Não estamos jogando com as palavras.

Que esteja bem claro: estamos sempre falando sobre alegria em Deus. Mesmo a alegria de fazer o bem é no final das contas a alegria em Deus, porque o bem final que sempre visamos é a manifestação da glória de Deus e a expansão da nossa própria alegria em Deus para os outros. Qualquer outra alegria seria qualitativamente insuficiente para o anseio de nossas almas, e quantitativamente pouco para a nossa necessidade eterna. Só em Deus está a "plenitude" de alegria e alegria "para sempre".

"Na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente (Salmo 16:11).

Extraído de O Dever Perigoso do Prazer (The Dangerous Duty of Delight) © 2001 por Desiring God Foundation. Usado com a permissão de Multnomah Publishers, Inc. Trecho não pode ser reproduzido sem o consentimento prévio por escrito de Multnomah Publishers, Inc.

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