Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus, que ele antes havia prometido pelos seus profetas nas santas Escrituras, acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne, e que com poder foi declarado Filho de Deus segundo o espírito de santidade, pela ressurreição dentre os mortos - Jesus Cristo nosso Senhor,

Obeservamos no verso 1 semana passada, que Paulo é um servo de Cristo Jesus, quer dizer, ele foi comprado e é comandado por Cristo. Ele vive para agradar a Cristo. E, para que não formemos um conceito errôneo de que Cristo é de alguma forma dependente da iniciativa de Paulo e do trabalho escravo de Paulo, nós devemos notar em Romanos 15:18 que Paulo depende de Cristo para tudo o que o próprio Paulo faz a serviço de Cristo: “porque não ousarei falar de coisa alguma senão daquilo que Cristo por meu intermédio tem feito, para obediência da parte dos gentios, por palavra e por obras.” Em outras palavras, Paulo serve a Cristo no poder com o qual Cristo serve a Paulo. “O Filho do Homem veio não para ser servido mas para servir” (Marcos 10:45; veja tambem (1 Coríntios 15:10; 1 Pedro 4:11). Nós vamos deturpar totalmente o significado de Romanos logo de saída se não observarmos que Paulo serve a Cristo no poder que Cristo provê, para que Cristo receba a glória pelo serviço de Paulo (veja 1 Pedro 4:11).

Esse soberano e provedor Cristo é o que nós encontramos na próxima frase, “chamado para ser um apóstolo.” Cristo chamou Paulo na estrada para Damasco e o comissionou para ser seu representante autorizado na fundação da igreja com ensinamentos verdadeiros. A partir daí vemos a mão de Deus, que é soberana e tudo planeja, na próxima frase, “separado para o evangelho de Deus.” Deus separou a Paulo antes do seu nascimento, Gálatas 1:15 diz isso. Deus é tão zeloso quanto a chegada e revelação do Seu evangelho que Ele não deixa nada ao acaso.

Hoje nós olhamos esse termo, “o evangelho de Deus” (1:1) e como Paulo o explica nos versos 2-4.

“… Que ele antes havia prometido pelos seus profetas nas santas Escrituras…”

A primeira coisa que Paulo diz sobre isso está exatamente alinhada com o que acabamos de ver: que Deus é zeloso ao mostrar que o evangelho estava planejado muito antes do mesmo acontecer. Verso 2: “…[Paulo foi] , separado para o evangelho de Deus, que Ele antes havia prometido pelos seus profetas nas santas Escrituras.”

Considere o seguinte a respeito do verso 2.

1) O evangelho de Deus é o cumprimento das promessas do Velho Testamento.

Não é uma nova religião. É o cumprimento de uma antiga religião. O Deus do Velho Testamento é o Deus do Novo Testamento. O que Ele estava preparando e prometendo lá no Antigo Testamento, Ele está cumprindo na vinda de Jesus.

2) Deus Cumpre suas promessas.

Centenas de anos se passam. Os Judeus se perguntam se o Messias jamais virá. Eles passam por sofrimentos horríveis. Então Deus age e as promessas são cumpridas. Isso significa que em Deus se pode confiar. Talvez pareça que Ele esqueceu (Suas promessas). Mas Ele não esquece. Então o verso 2 não é somente uma declaração sobre o conteúdo do evangelho, mas é também uma razão para acreditar-se nele. Se pudermos perceber que Deus prometeu Cristo séculos antes da sua vinda e que muitos detalhes cumprem essa promessa, nossa fé é fortalecida.

3) Essas são santas, inspiradas Escrituras nas quais nós devemos reverenciasr e acreditar.

Perceba os tremendamente importantes isignificados do verso dois para a nossa doutrina. Primeiro há Deus; depois há a promessa do que Deus quer fazer; então há profetas “através” dos quais (note bem: não pelos quais, mas “através” dos quais, o próprio Deus continuando como narrador) Ele profere sua promessa; em seguida há escrituras; e essas escrituras são chamadas santas. Por que elas são separadas de todas as outras escrituras e são únicas e preciosas? Porque é Deus quem fala nelas. Leia o verso com cuidado: “Ele (Deus) prometeu antes através de Seus profetas nas santas Escrituras. Deus prometeu nas escrituras. É isso que às faz serem santas. É assim que Paulo vê as escrituras e é assim que devemos vê -las. Se você já se perguntou por que sua Biblia diz “Santa Biblia” na capa, Romanos 1:2 é a resposta.

E para que não percamos de immediato a relevância disso para nossa exposição de Romanos, lembre-se de três fatos: (1) O próprio Paulo se vê em 1:1 como o apóstolo de Cristo Jesus, falando e escrevendo com autoridade representando a Cristo como fundador da igreja - em outras palavras, como um dos profetas da antiguidade (Efésios 2:20). (2) Paulo disse em 1 Coríntios 2:13, “as quais também falamos, não com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com palavras ensinadas pelo Espírito Santo, comparando coisas espirituais com espirituais.” Em outras palavras, Paulo afirma que há inspiracão especial para seus ensinamentos. (3) em 2 Pedro 3:1, Pedro diz que “alguns distorcem [o que Paulo escreveu], como distorcem outras escrituras.”

Logo Pedro coloca as cartas de Paulo na mesma categoria das Santas Escrituras sobre as quais estamos lendo aqui. É por isso que a pregação é tão importante para nossa vida em comunidade Nós acreditamos que a carta de Paulo para os Romanos é a palavra de Deus, não meramente a palavra de um homem. O evangelho foi prometido em santas escrituras inspiradas por Deus; e o evangelho é desdobrado e preservado para nós em santas escrituras inspiradas por Deus. É nisso que acreditamos, e isso faz uma enorme diferença no modo como vemos a verdade e a doutrina e pregamos e louvamos e tudo mais no mundo.

Então, a primeira coisa que Paulo diz a respeito do evangelho de Deus é que ele foi planejado e previsto muito antes (1:2). É o evangelho “que Ele antes havia prometido pelos seus profetas nas santas Escrituras,”

“… Acerca de Seu Filho…”

O segundo fato que ele mostra sobre o evangelho de Deus (1:3) é que o evangelho é a respeito de Seu Filho. “…, que Ele antes havia prometido pelos Seus profetas nas santas Escrituras, acerca de Seu Filho…” O evangelho de Deus tem a ver com o Filho de Deus. Nós precisamos ter duas coisas bem claras a respeito do Filho de Deus imediatamente, senão vamos nos desviar para longe.

1) O Filho de Deus existia antes de se tornar um ser humano.

Veja em Romanos 8:3, “Porquanto o que era impossível à lei, visto que se achava fraca pela carne, Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança da carne do pecado, e por causa do pecado, na carne condenou o pecado.” Deus o enviou para tomar forma humana. Então o Filho existia como Filho de Deus antes de se tornar um homem. Isso significa que Cristo é e era o Filho de Deus de uma forma absolutamente única – não da mesma forma pela qual somos filhos de Deus (Romanos 8:14, 19).

2) O próprio Cristo é Deus.

Em Romanos 9:5, referindo-se aos privilégios de Israel, Paulo diz “…de quem são os patriarcas; e de quem [é Israel] descende o Cristo segundo a carne, o qual é sobre todas as coisas, Deus bendito eternamente. Amém.” E em Colossenses 2:9 Paulo diz, “porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade”. Então quando Paulo diz que o evangelho de Deus é a respeito do Seu Filho, ele quer dizer que o evangelho tem a ver com o divino, pré -existente Filho. O evangelho de Deus não é sobre Deus organizando assuntos humanos de uma maneira melhor. É sobre Deus penetrando em assuntos humanos de fora a para dentro na pessoa do Seu Filho que é a perfeita imagem do Pai e é Ele próprio Deus.

Então Paulo coloca um peso enorme no “evangelho de Deus” dizendo primeiro, que ele é prometido – planejado – por Deus muito antes de acontecer, e, Segundo, que ele trata do seu Filho divino. O Criador soberano do universo, tem planejado coisas boas para o mundo, e no centro desse plano está seu Filho.

“… nasceu da descendência de Davi segundo a carne…”

O terceiro fato ao qual Paulo se refere a respeito do evangelho de Deus é que esse divino Filho “nasceu da descendência de Davi segundo a carne”. Isso quer dizer duas coisas ao mesmo tempo.

1) O Filho de Deus se tornou homem.

Ele nasceu. O trabalho que ele tinha a fazer – a missão em que Ele estava – requeria que ele tomasse forma humana, lado a lado com sua natureza divina. Deus não escolheu a um homem e fez dele Seu filho; ele escolheu fazer seu eterno, e único Filho um homem.

2) Ele nasceu dentro da linhagem do Rei Davi do Antigo Testamento.

Por que isso é parte do evangelho de Deus? Por que isso são boas novas? A resposta é que todas as promessas do Antigo Testamento dependem da vinda do Messias – o ungido – que iria reinar como rei na linhagem de Davi e conquistar os inimigos do povo de Deus e trazer justiça e paz para sempre. Ele seria o Sim a todas as promessas de Deus.

Considere algumas promessas do Antigo Testamento. Jeremias 23:5 “Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que levantarei a Davi um Renovo justo; e, sendo rei, reinará e procederá sabiamente, executando o juízo e a justiça na terra.” Ou Isaias 11:10 “Naquele dia a raíz de Jessé [ou, filho de Davi, descendente de Jessé] será posta por estandarte dos povos, à qual recorrerão as nações; gloriosas lhe serão as suas moradas.”

Sendo assim o evangelho de Deus são as boas novas de que agora, depois de séculos, Deus agiu para cumprir o seu plano e promessa de que um rei viria na linhagem de Davi, e, como Isaías 9:6-7 diz, “o governo estará sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz. Do aumento do seu governo e da paz não haverá fim.”

Então o “evangelho de Deus” são as boas novas de que o tempo chegou e o reino de Deus é chegado (Marcos 1:14-15, “veio Jesus para a Galiléia pregando o evangelho de Deus e dizendo: O tempo está cumprido, e é chegado o reino de Deus. Arrependei-vos, e crede no evangelho”). A vinda do Filho de Deus ao mundo era a vinda do “Filho de Davi,” o prometido Rei. Ele governaria as nações e triumnfaria sobre os inimigos de Deus e governaria com justiça e paz e, de acordo com Isaías 35:10 “E os resgatados do Senhor voltarão; e virão a Sião com júbilo, e alegria eterna haverá sobre as suas cabeças; gozo e alegria alcançarão, e deles fugirá a tristeza e o gemido.” É isso que faz do verso 3 o “evangelho de Deus.” A vinda do Filho de Deus como Filho de Davi significaria paz eternal na presença de Deus – para todos os resgatados do Senhor.

“…Foi declarado Filho de Deus segundo o espírito de santidade…”

Mas há algo mais que Paulo diz sobre “o evangelho de Deus.” Não somente ele foi planejado e prometido antes de acontecer; e não somente ele é acerca do divino, pré-existente Filho; e não somente ele representa boas novas de que esse Filho nasceu como o filho humano de Davi para cumprir as esperanças e sonhos do Antigo Testamento em termos de justiça e paz e alegria no reino de Deus; mas, no verso 4, Paulo diz algo que era ao mesmo tempo devastador e emocionante. Ele diz que o Filho de Deus “foi declarado Filho de Deus segundo o espírito de santidade, pela ressurreição dentre os mortos - Jesus Cristo nosso Senhor, “

Por que eu digo que isso era devastador? A maioria dos Judeus nos dias de Paulo esperavam que o Messias viesse com poder e força política, e derrotasse os governantes opressores do mundo (os Romanos), e estabelecesse um reino terreno em Jerusalem e vivesse para sempre triunfante com seu povo. Mas o que Paulo diz no verso 4 implica que entre versos 3 e 4 o Filho de David morreu. Ele morreu! Aqueles que pensavam que ele era o Messias ficaram devastados. Messias não morrem. Eles vivem para conquistar e governor. Eles não são presos e espancados e ridicularizados e crucificados deixando seus povos destituídos. Isso era absolutamente devastador. (Lucas 24:21 “Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de remir Israel”).

Paulo voltara ao tema da morte de Cristo nos capitulos 3, 5 e 8. Mas por enquanto ele vai imediatamente para a emocionante nota do triunfo no evangelho de Deus. Esse Messias morto, Paulo diz no verso 4, foi ressuscitado dentre os mortos. Isso está no centro do evangelho de Deus. E Paulo diz duas coisas sobre essa ressurreição.

1) Essa ressurreição dentre os mortos foi “segundo o espírito de santidade”

O que isso significa? Eu tomo essa afirmação como significado de pelo menos duas coisas.

a. O Espírito Santo de Deus ressuscitou Jesus dentre os mortos.

Eu tomo minha sugestão a partir de Romanos 8:11 onde Paulo diz “E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo Jesus há de vivificar também os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita.” Isso ensina que nós seremos ressuscitados pelo Espírito de Deus que habita em nós, da maneira pela qual Cristo foi ressucitado. Consequentemente o Espírito estava envolvido na ressurreição de Jesus dentre os mortos.

b. Mas por que Paulo usa essa expressão incomum, “Espírito de santidade” (não encontrada em nenhuma outra parte do Novo Testamento)?

Aqui está minha sugestão, lidando com essa idéia de que a morte é suja. Quando o rei Saul queria se comunicar com os mortos ele foi a bruxa de Endor (1 Samuel 28:7), e o encontro foi secreto e ilícito. Médiuns, advinhadores e feiticeiros eram uma abominação em Israel. Quando os mortos estão mortos, você os deixa em paz e não lida com eles. Sessões espíritas eram e são proibidas para crentes. Lidar com os mortos tem sido um tipo de magia negra, o que não é algo belo, limpo, e santo. Tudo menos isso. Falar de um homem que havia sido executado sendo ressurreto deve ter soado de forma absolutamente horrível e impura para muitos ouvidos, como magia negra e feitiçaria.

Contra isso Paulo enfatiza exatamente o oposto: Cristo foi ressusscitado dentre os mortos de acordo com o Espírito de santidade, não um espírito escuro ou um mau espírito ou um espírito maculado, mas o próprio Espírito do próprio Deus que está posicionado acima de toda santidade. Ele não foi maculado ao ressuscitar Jesus. Isso foi algo santo a ser feito. Isso foi a coisa certa e boa e limpa e bela e que honra a Deus, não que diminui a Deus.

2) Através dessa ressurreição Cristo foi “declarado [ou nomeado] o Filho de Deus com Poder.”

A chave dessa frase está nas palavras “com poder”. Eu penso que as traduções bíblicas NASB e KJV e RSV estão certas em mostrar que essa frase refere-se ao “Filho de Deus.” A questão não é que na ressurreição Cristo deixou de ser Filho de Deus em humildade e limitações humanas e fraqueza e passou a ser Filho de Deus com poder. A chave da frase é “com poder”. Era isso que Jesus queria dizer depois da ressurreição quando ele afirma” Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra” (Mateus 28:18). É o que Paulo quiz dizer em 1 Coríntios 15:25-26 quando ele disse a respeito do Cristo ressurreto, “Pois é necessário que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo de seus pés. Ora, o último inimigo a ser destruído é a morte.” Em outras palavras, Jesus é o Rei Messiânico. Ele reina agora sobre o mundo. Ele está colocando todos os seus inimigos debaixo de seus pés. Haverá um dia quando ele sairá de seu invisível e estabelecerá seu reino abertamente e gloriosamente na terra. É isso que Paulo quer dizer com “Filho de Deus no poder”. Ele está reinando agora. Ele está trabalhando seus propósitos através do Seu Espírito e da Sua igreja. E o dia virá quando Cristo derrotará todo inimigo, e todo joelho de sobrará e confessará que Ele é Senhor para a Glória do Deus Pai (Filipenses 2:11).

Essa será a consumação do evangelho de Deus. Ao que dizemos, “Amem, vem Senhor Jesus.”

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