Todas as coisas são de Deus, por meio de Deus e para Deus. A Glória é toda Dele

Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Porque quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.

Hoje completamos nossa jornada de seis anos por Romanos 1-11. Vimos a terrível condição de pecado de nossos corações—e do coração de toda humanidade—em Romanos 1-3.19; e o grande trabalho de Cristo na cruz para prover uma justiça e um sacrifício tal capazes de nos justificar somente pela fé independente das obras da lei em Romanos 3.20-5.21; e a obra poderosa santificadora do Espírito Santo para vencer o pecado e nos tornar seguros no amor de Cristo em Romanos 6-8; e então a grande defesa da soberana graça de Deus e promessa de manutenção da fidelidade em Romanos 9-11, culminando agora com as palavras impressionantes de Romanos 11.32, “Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia."

Resposta de louvor para Romanos 1-11

E em resposta a toda essa revelação dos caminhos e juízos de Deus, Paulo, entra em uma admiração explicita e louvor em Romanos 11.33-36:

Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Porque quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.

Este é o lugar onde Deus quer que estejamos quando ouvimos Romanos 1-11. Maravilhados com a misericórdia, e cultuando a Deus por meio de Jesus Cristo. Esta é a resposta que nos tornará capazes de viver a prática moral requerida em Romanos 12-15.

Moralidade na vida cristã não é simplesmente a força de vontade para fazer as coisas certas, porque Deus tem autoridade para comandá-las. A moralidade cristã é o transbordamento da adoração ao soberano, misericordioso Deus. A vida cristã é fruto de uma mente e um coração transformados por verem e provarem a suprema suficiência e soberania e misericórdia de Deus revelada em Jesus Cristo. Isso ficará claro quando chegarmos ao capítulo 12.

Persistentes nos louvores de Romanos 11.33-36

Mas por agora permaneçamos mais uma vez no louvor do coração de Paulo aqui no final do capítulo 11:

Verso 33ª

Vimos da última vez que as riquezas e sabedoria e conhecimento de Deus são insondavelmente profundos (v. 33a). Não importa o quanto você se aprofunde nas riquezas de Deus ou na sabedoria de Deus ou no conhecimento de Deus, você nunca alcançará Deus. Não há explicação para coisa alguma à parte de Deus. Não há nada abaixo de Deus. E não há nada acima de Deus. E não há nada decisivamente diante Deus entre Sua profundeza e altura.

Verse 36 - Verso 35

E é por isso que Paulo diz no verso 36, “Porque dele e por meio dEle, e para ele, são todas as coisas.” E esta verdade nos leva para a verdade do verso 35, “Ou quem lhe deu primeiro a Ele, para que lhe seja recompensado?” Resposta: Ninguém. Em outras palavras, você não pode dar nada a Deus que já não seja dEle. Se pudesse, Ele seria devedor à você. Mas você não pode. Portanto Ele não te deve nada. E nunca deverá. Todas as coisas são dEle e por meio dEle. Ele é absolutamente livre.

Verse 35 - Verso 34

Isso também leva Paulo a dizer no verso 34, “Porque quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro?” Resposta novamente: Ninguém. Em outras palavras, você não apenas não pode dar nada a Deus que Ele já não possua; você também não pode Lhe dar nenhum conselho que Ele já não saiba. Porque dEle e por meio dEle são todas as coisas.

Verse 34 - Verso 33b

Isso leva Paulo a dizer no verso 33b: “Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” Em outras palavras, como as riquezas de Deus e sabedoria e conhecimento são tão profundos, não podemos Lhe dar nada que Ele já não possua, ou lhe dizer nada que Ele já não saiba, não é de se admirar que muitas vezes ficamos confusos, desorientados, perplexos e maravilhados com caminhos e juízos de Deus.

Versos 33-35 - Verso 36

O projeto final e efeito de tudo isso está no final do verso 36: Todas as coisas não são somente dEle e por meio dEle, mas também “para Ele.” Portanto, “a Ele seja a glória.” Nossas vidas devem ser vividas voluntariamente para a glória de Deus, ou então serviremos a Sua glória involuntariamente em nossa condenação. Fomos criados e chamados para tornar a beleza e grandeza de Deus conhecidas no mundo. A razão de existirmos é par valorizar Deus, e levar todas as nações a confessar que Jesus é Senhor “para a glória de Deus o pai.” (Filipenses 2.11).

Um Esboço desta mensagem: cinco passos

Então este é o esboço da mensagem de hoje:

Baseado no que vimos da última vez, que as riquezas e sabedoria e conhecimento de Deus são insondavelmente profundas; portanto:

  1. todas as coisas são dEle e por meio dEle; portato

  2. ninguém pode dar algo a Deus de modo a torna-Lo devedor; e

  3. ninguém pode dar algum conselho a Deus sobre como Ele deve fazer as coisas; é por isso que

  4. Seus caminhos e juízos são insondáveis e inescrutáveis para nossa mente finita; de modo que, finalmente,

  5. devemos dar toda glória a Deus, e se contentar com uma felicidade em Deus totalmente dependente e de exaltação a Cristo.

Vamos dar estes cinco passos um de cada vez.

1. Porque dEle, por Ele e para Deus são todas as coisas

Primeiro, porque as riquezas e sabedoria e conhecimento de Deus são insondavelmente profundas, verso 36 é verdadeiro: “dEle e por meio dEle . . . são todas as coisas.” Tomo isso para dizer que a origem fundamental ou a causa final ou a última e decisiva razão para tudo é Deus. A existência de tudo depende de Deus—em seu início e por todo percurso (dEle e por meio dEle).

Efésios 1.11 coloca desta forma: “[Deus] faz todas as coisas, segundo o conselho da Sua vontade.” Romanos 9.16 diz assim: “Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece.” Provérbio 16.33 coloca desta forma, “A sorte se lança no regaço, mas do Senhor procede toda a determinação.” Todas as coisas são dEle e por meio dEle” significa que não há explicação para o que existe ou o que acontece que seja mais profunda ou mais decisiva do que Deus. É isso que entendemos quando dizemos que Deus é absolutamente soberano.

O diabo não é co-eterno com Deus, e ele não é, em última análise, independente de Deus. Sua existência e tudo o que vem a partir dela—muito do mal que há no mundo—depende da vontade de Deus em permitir que ele exista e permitindo-lhe a cada momento fazer o que ele faz. Deus o vê chegando e permite que isso aconteça. E como Ele não faz nada à toa ou por capricho, há sempre um propósito para o que Ele faz com que aconteça diretamente e o que Ele permite que aconteça indiretamente. Então, nesse sentido, podemos dizer que até mesmo o mau e a calamidade do mundo (ex. Romanos 11.7-10) estão incluídos no verso 36, “Todas as coisas são dEle e por meio dEle.”

Mas não vamos falar aqui mais do que devemos. Há um outro sentido em que não devemos dizer que todas as coisas vêm de Deus. Por exemplo, pense em 1 João 2.15-16,

Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo.

Aqui João diz que “a concupiscência da carne” e “a concupiscência dos olhos” e a “soberba da vida” não vêm “de Deus.” Assim, em um sentido "todas as coisas" são "de Deus." Mas em outro sentido estes males não são de Deus.

Eu quero dizer que o pecado não vem da natureza de Deus. Ou seja, não é uma extensão ou aspecto da natureza ou caráter de Deus. Deus é Santo, e não há iniquidade nEle. Deus é Luz, e nEle não há trevas. As trevas e iniquidade do pecado não surgem como parte da natureza ou caráter de Deus. Eles não vêm dEle neste sentido. O pecado pode vir de Deus e através de Deus, no sentido de causa última e decisiva, mas não no sentido de que o pecado venha de Sua natureza ou caráter. Deus deseja que haja pecado, sem Ele próprio pecar. Não é pecado quando Deus, com infinita sabedoria e santidade, ordena que o pecado exista. O pecado “vem dEle” como Aquele que o ordena, mas “não vem dEle” como expressão de Sua natureza.

Eis aqui uma ilustração imperfeita da diferença. Você pode ficar com um olho roxo de duas maneiras. Pode ser atingido no olho por uma bola de neve branca, e seu olho ficará roxo. Ou pode injetar uma agulha hipodérmica com tinta preta acima do seu olho e ele ficará roxo. No segundo caso a rouxidão será causada pelo corante. No primeiro caso a rouxidão do olho não veio de alguma escuridão existente na bola de neve.

Tudo o que eu quero que vejam nesta ilustração é que há duas maneiras diferentes de pensar sobre algo que venha “de Deus.” Todas as coisas vêm de Deus no sentido que Ele ordena que todas as coisas aconteçam. Mas todos os atos pecaminosos não são uma expressão da Sua natureza.

O resultado prático disso é que nós somos totalmente dependentes de Deus para todas as coisas e que somos totalmente responsáveis e culpados pelo mal em nossos corações. O efeito que isso deve causar é uma humildade profunda. 1 Coríntios 4.7, “E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te glorias, como se não o houveras recebido?” O fato de todas as coisas serem dEle e por meio dEle, exclui a vanglória.

2. Ninguém pode dar um algo a Deus, de modo a fazer Dele um devedor

Segundo, isso implica o verso 35: “Ou quem lhe deu primeiro a Ele, para que lhe seja recompensado?” Resposta: Ninguém. Como tudo é de Deus e por meio dEle, Ele é dono de todas as coisas e nunca poderemos Lhe dar qualquer coisa que já não seja Sua. O que significa que nunca poderemos colocá-Lo como nosso devedor. Não há absolutamente nenhuma negociação com Deus. Nós não temos poder de barganha. Somos totalmente pertencentes e ocupantes de Seu território. Cada respiração nossa é um dom. Todas as virtudes que realizamos é por graça. “Deus não é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois Ele mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas” (Atos 17.25).

3. Ninguém pode aconselhar a Deus sobre como Ele deve fazer as coisas

Terceiro, Paulo dá um exemplo específico de como não podemos dar a Deus qualquer coisa para O compelir ou enriquecê-Lo. Verso 34: “Porque quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi Seu conselheiro?”. Resposta: Ninguém conheceu a Sua mente de tal forma a ser Seu conselheiro. O que sabemos sobre Sua mente é devido a revelação. Paulo nos deu 11 capítulos sobre a mente de Deus. Fomos feitos para entendê-la. Mas ninguém conhece a mente de Deus de modo a ser Seu conselheiro.

Portanto a coisa específica que você não pode dar a Deus aqui é conselho. E essa é a única coisa que os pecadores presumem na maioria das vezes darem a Deus: conselho. Eles não oferecem amor ou deleite ou fé ou esperança. Oferecem conselho. Eles dizem a Deus abertamente ou por implicação: “Eu não gosto de como Você governa o mundo; penso que Você deve fazer isso dessa forma.” O mundo está cheio de conselheiros de Deus. A única coisa que Paulo diz explicitamente que não podemos dar, é o que, na maioria das vezes, os pecadores mais se orgulham em oferecer: Eles dizem a Deus como Ele deve governar o mundo, e O avisam que se não governar do jeito deles não crerão mais nEle. Como se uma criança diabética dissesse ao seu pediatra: Não me dê mais injeções. E se você me furar com essa agulha de insulina de novo eu não volto mais. Como se isso ameaçasse a Deus!

Não aconselhe. Não ameaçe a Deus. Confie nEle. Tudo o mais é suicídio.

4. Os Seus meios e juízos são inalcançados e inescrutáveis para nossa mente finita

Quarto, já que tudo é de Deus e por meio de Deus de forma que não podemos dar a Ele o que já não seja dEle e não podemos ser Seu conselheiro, então (conforme o verso 33b), não nos admiramos que fiquemos muitas vezes confusos e perplexos com os caminhos e juízos de Deus. “Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” Isso não quer dizer que Deus é totalmente ininteligível. Os mistérios de Deus são revelados nas Escrituras. E o Espírito Santo nos é dado para iluminar nosso entendimento 1 Coríntios 2.14-15). Mas “agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.” (1 Coríntios 13.12).

5. A Deus seja a Glória para sempre

O que nos leva finalmente (quinto) a conclusão de toda questão—o parágrafo e os onze capítulos. Não apenas todas as coisas são de Deus e por meio de Deus, mas, como diz o verso 36b, “Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.”

Você ama o pensamento de que você existe para fazer Deus parecer glorioso? Você ama o pensamento de que toda a criação existe para mostrar a glória de Deus? Você ama a verdade de que toda a história foi designada por Deus para um dia ser uma tela perfeita que exibe da melhor forma possível e grandeza e beleza de Deus? Você ama o fato de Jesus Cristo ter vindo ao mundo cumprir a justiça de Deus e reparar o dano que nós causamos à reputação da glória de Deus? Você ama a verdade de que você pessoalmente existe para fazer Deus parecer como Ele realmente é—glorioso? Pergunto de novo: Você ama o fato de que sua salvação é para expor a glória da graça de Deus? Você ama ver e exibir a glória de Deus? Foi por isso que Deus criou o universo. Foi por isso que Ele decretou a história. Foi por isso que Ele enviou Seu Filho. É por isso que você existe. Para sempre ver e saborear e exibir a glória de Cristo, que é a imagem de Deus. A pergunta no final de Romanos 1-11 é: Você abraça este chamado como o seu tesouro e alegria?

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