O que o batismo representa

20 Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça, 21 a fim de que, como o pecado reinou pela morte, assim também reinasse a graça pela justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor. 6.1 Então, o que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? 2 De forma alguma! Como viveremos ainda no pecado, nós, os que para ele morremos? 3 Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? 4 Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida.

Hoje, é a última mensagem desta breve série de mensagens sobre o batismo. Sei que há muito mais para dizer. Sinto muito se deixei sem resposta algumas de suas questões. Mas teremos mais oportunidades em vários contextos para discutir esses assuntos.

Relembre que um de nossos principais motivos para apresentar esta série aqui, no princípio do verão, é acreditarmos que o Novo Testamento convida as pessoas para vir a Cristo pública e corajosamente. Queremos ver as pessoas que são cristãs atingirem o momento do testemunho público e desejamos que elas se tornem cristãs mediante seus testemunhos e o ministério da palavra durante todo o verão.

Por que Jesus ordenou o ato do batismo?

Às vezes, poderíamos imaginar, por que Jesus ordenou o ato do batismo. Por que há tal coisa como batismo? Se a salvação é pela graça por meio da fé, por que instituir um ritual requerido ou um símbolo para representar esta fé? Isto é uma questão que a Bíblia não responde. Mas a experiência ensina alguns fatos interessantes.

Por exemplo, depois de minha primeira mensagem três semanas atrás, uma antiga missionária nas Filipinas veio até mim e expressou a apreciação dela pelas séries e então disse a razão. Ela disse que nas Filipinas, onde há um pouco de catolicismo nominal e sincrético, os convertidos eram aceitos e raramente notados por suas famílias até que fossem batizados. Então, as previsões bíblicas de hostilidade e separação aconteciam. Há algo a respeito desse público ritual da descoberta da nova fé que torna clara a posição da pessoa e o que ela faz. Em outras palavras, em muitas culturas hoje, a situação é muito parecida com a situação de João Batista. Ele veio pregar o evangelho de um batismo de arrependimento e aqueles que pensavam que possuíam tudo de que precisavam frequentemente ficavam enfurecidos.

Naquela mesma semana, a revista de missões (The Dawn Report de 30 de maio) 1 foi publicada. Na página 7, há a imagem de um homem batizando em um contexto missionário de um rio, com o título abaixo da imagem: “Cultos ao ar livre e batismos nos rios são, às vezes, os melhores meios para o crescimento”. Simplesmente, não conhecemos todo o conjunto de razões que Deus teve em sua sabedoria para prescrever o batismo como uma forma normativa de expressar a fé em Cristo e a identificação com ele e seu povo. Podemos pensar em diversas razões por que o batismo é algo bom, mas, provavelmente, não podemos pensar proximamente em todos os bons efeitos que Deus pretende. No fim, ele é um ato de confiança em nosso pai que sabe o que faz e estamos felizes em obedecer à sua ordenança.

Imersão ou aspersão?

Hoje tentarei mostrar do texto de Romanos 5,20-21; 6,1-4 um pouco mais do sentido do ato. Essa demonstração também tratará a questão que alguns de vocês têm com relação à forma do batismo — isto é, imersão em vez de aspersão. De fato, permita-me começar com uma palavra geral sobre a forma da imersão como oposto à aspersão. Há, pelo menos, três tipos de evidência para crer que o sentido e a prática do Novo Testamento foram por imersão: 1) o sentido da palavra baptizo, em grego, é essencialmente “mergulhar” ou “imergir”, não aspergir; 2) as descrições dos batismos no Novo Testamento sugerem que as pessoas desceram às águas para serem imersas em vez de terem a água trazidas até eles em um recipiente para ser derramada ou aspergida (Mateus 3,6: “no rio Jordão”; 3,16: “saiu [Jesus} logo da água”; João 3,23: “havia ali muitas águas”; Atos 8,38: “desceram à água”); 3) imersão se ajusta ao simbolismo de ser sepultado com Cristo (Romanos 6,1-4; Colossenses 2,12).

Não vamos nos prolongar nesse assunto, mas, permita-me dizer uma palavra no que se refere a como podemos considerar o fato de que nossa igreja e nossa denominação fazem do batismo por imersão um aspecto definidor da membresia na comunidade local do pacto (mas não no corpo universal de Cristo). Não cremos que a forma do batismo é um ato essencial para a salvação. Assim, não levantamos dúvidas sobre a posição cristã de uma pessoa meramente com base no modelo do seu batismo. Alguém poderia perguntar: você não deveria admitir à afiliação aqueles que são verdadeiramente nascidos de novo, mas os que foram aspergidos como cristãos? Há duas formas de respondermos por que não.

1) Deveríamos chamar de falso um método de batismo criado pelo homem se tivéssemos evidências adequadas que esse método se afasta da forma do batismo que Cristo instituiu originalmente? Essa atitude não correria o risco de minimizar o significado que o próprio Cristo conferiu à ordenança?

2) Comunidades cristãs locais, chamadas Igrejas, são edificadas em torno de convicções bíblicas compartilhadas, algumas das quais são essenciais para salvação e algumas das quais não. Não definimos nossa vida de pacto em comunidade apenas pelo conjunto mais estreito possível de crenças que alguém precisa ter para ser salvo. Cremos, em vez disso, que a importância da verdade e da autoridade da Escritura é mais bem honrada quando comunidades de fé cristã definem elas mesmas o conjunto de convicções bíblicas e as defendem em vez de redefinir o significado da afiliação cada vez que uma de suas convicções é contestada. Quando diferentes comunidades cristãs podem fazer isso enquanto expressam amor e afeição fraternal por outros cristãos, ambos - a verdade e o amor – são bem servidos. Por exemplo, o fato que muitos dos pregadores convidados para a Conferência de Bethlehem a serem pastores não poderiam ser membros dessa igreja expressa que levamos a sério o amor e a unidade, e levamos a sério a verdade.

Quais aspectos não essenciais serão incluídos de geração a geração para a definição de várias comunidades dependem amplamente de diversas circunstâncias e análises diversificadas de quais verdades precisam ser enfatizadas.

O que o batismo representa

Com esse contexto, vamos examinar Romanos 5,20-21; 6,1-4 para compreendermos o que o batismo representa e apenas secundariamente que implicações têm essa representação para a forma do batismo. Meu propósito aqui é ajudá-lo a entender a gloriosa realidade que o batismo aponta para que, principalmente, a realidade em si mesma o prenderá e, que, secundariamente, a beleza e o significado do ato emergirão em sua mente e coração. Romanos 5,20-21; 6,1-4:

20 Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça, 21 a fim de que, como o pecado reinou pela morte, assim também reinasse a graça pela justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor. 6.1 Então, o que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? 2 De forma alguma! Como viveremos ainda no pecado, nós, os que para ele morremos? 3 Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? 4 Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida.

Um dos grandes fatos a respeito desse texto é ele demonstrar que, se você entende o que o batismo representa, compreende que realmente lhe aconteceu a quando se tornou um cristão. Muitos de nós viemos à fé e fomos batizados em um momento quando não sabíamos muito. Isso é bom. Espera-se que o batismo aconteça no princípio da caminhada cristã quando se não sabe muito sobre ele. Portanto, também se espera que você aprenda mais tarde, mais e mais, o que o batismo significa.

Não pense: “Oh, preciso voltar e ser batizado novamente. Eu não sabia que o batismo tinha todo esse significado”. Não, não. Isso significaria que você seria rebatizado a cada novo curso de teologia bíblica que fizesse. Pelo contrário, regozije-se que você expressou sua simples fé em obediência a Jesus e, agora, está aprendendo mais e mais todo o significado de sua fé. É isso o que Paulo faz aqui: ele espera que seus leitores saibam que seus batismos significam, mas ele vai em frente e os ensina, de qualquer modo, se não sabem ou se esqueceram. Aprenda desses versículos que você uma vez representou aos olhos de Deus, e realmente aconteceu a você ao se tornar um cristão.

Vou tratar somente de dois fatos que o batismo representa, de acordo com esses versículos.

1) O batismo representa nossa morte e a morte de Cristo

O batismo representa nossa morte na morte de Cristo. Os versículos 3 e 4a: “Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo”. Aqui está uma grande verdade sobre nós cristãos. Nós morremos. Quando Cristo morreu, morreu nossa morte. Significa pelo menos dois fatos: 1) não somos as mesmas pessoas que éramos outrora; nosso velho homem morreu. Não somos os mesmos; 2) nossa futura morte física não terá o mesmo sentido para nós que teria tido se Cristo não tivesse morrido nossa morte. Visto que morremos com Cristo e ele morreu nossa morte por nós, nossa morte não será algo horrível que teria sido. “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?” (1 Coríntios 15,55). A resposta é que o aguilhão e a vitória da morte foram engolidos por Cristo. Lembre-se da última semana: ele bebeu o tanque 2.

Note a ocorrência da palavra “em” e a repetição das palavras “na” nos versículos 3 e 4. Batizados “em Cristo Jesus” e batizados “na sua morte” (versículo 3) e “na morte” pelo batismo (versículo 4). Isso expressa que o batismo representa nossa união com Cristo, ou seja, somos unidos a ele espiritualmente de modo que sua morte se torna nossa morte e sua vida se tornará nossa vida. Como experimentamos isso? Como sabe que isso aconteceu? A resposta é: experimentando pela fé. É possível ouvir isso nos versículos paralelos. Gálatas 2,20 faz a conexão com a fé: “Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim”. Em outras palavras, o “eu” que morreu foi o velho “eu” incrédulo e rebelde e o “eu” que veio à existência foi o “eu” da fé — “Esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus”. E a base de toda essa união com Cristo é: “Cristo vive em mim”. E eu vivo nele — em união espiritual com ele. Sua morte é minha morte e sua vida é vivida em minha vida.

Outra ilustração dessa união com Cristo seria Colossenses 2,6, 7a: “Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele, nele radicados, e edificados, e confirmados na fé”. Novamente, aqui, pode-se compreender que a fé em Cristo é a maneira como se experimenta a união com Cristo. Você o recebe como Senhor e Salvador e nessa fé está unido a ele e caminha “nele”, e é edificado “nele”.

Desse modo, quando Romanos 6,3, 4a declara que somos batizados em Cristo e na sua morte, considere significar que o batismo expressa a fé pela qual experimentamos a união com Cristo. Presumivelmente, é a razão por que Deus designou a forma do batismo para que este representasse o sepultamento. Ele representa a morte que experimentamos quando estamos unidos a Cristo. É por esse motivo que somos imersos. A imersão é um ato simbólico de sepultamento.

Assim, saiba, cristão, que você morreu. O velho “eu” incrédulo e rebelde foi crucificado com Cristo. É isso o que seu batismo significou e significa.

2. O batismo representa nossa novidade de vida em Cristo

O versículo 4: “Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida”. Ninguém fica debaixo da água do batismo. Saímos da água. Após a morte, surge a vida. O velho “eu” de incredulidade e rebelião morreram quando fui unido a Cristo pela fé. Mas, no instante em que o velho “eu” morreu, a um novo “eu” foi concedida a vida. Uma pessoa nova e espiritual foi, de certo modo, ressuscitada dentre os mortos.

O comentário mais fundamental sobre essa verdade é Colossenses 2,12; Paulo afirma: “Tendo sido sepultados, juntamente com ele, no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos”. Observe: somos ressuscitados com Cristo exatamente como Romanos 6,4 declara que andamos em novidade de vida. E há a obra de Deus que o ressuscitou dentre os mortos como Romanos 6,4 declara que Cristo foi dentre os mortos pela glória do Pai. E isso acontece por meio da fé na obra de Deus, que ressuscitou a Jesus dentre os mortos.

Por conseguinte, Colossenses 2,12 torna explícito que Romanos 6,4 deixa implícito: que o batismo expressa nossa fé na obra de Deus de ressuscitar Jesus dentre os mortos. Cremos que Cristo está vivo e livre da sepultura e reina hoje à direita do Pai no céu, de onde ele virá novamente com poder e glória. E essa fé na obra de Deus — a glória de Deus como Paulo a chama — é como participamos na novidade de vida que Cristo tem em si mesmo.

De fato, a novidade de vida é a vida de fé na glória e na obra de Deus. “Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive…; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus”. A novidade de vida é a vida do dia-a-dia confiando na obra de Deus — a glória de Deus.

O batismo representa o que nos aconteceu quando nos tornamos cristãos

Portanto, vamos resumir e chegarmos a uma conclusão. O batismo representa o que nos aconteceu quando nos tornamos cristãos. É isso que nos ocorreu: fomos unidos a Cristo. Sua morte se tornou nossa morte. Morremos com ele. E, no mesmo instante, sua vida se tornou nossa vida. Agora, vivemos a vida de Cristo em nós. E tudo isso é experimentado por meio da fé.

É isso o que significa ser cristão: viver a realidade que nosso batismo representa. Dia a dia, olhamos distante de nós mesmos para Deus e exclamamos: “Por Cristo, seu Filho, venho até o Senhor. Nele, eu pertenço ao Senhor. Estou à vontade com o Senhor. Cristo é minha única esperança de ser aceito por ti. Recebo essa nova aceitação todo dia. Minha esperança é baseada em sua morte por mim e minha morte nele. Minha vida nele é uma vida de fé no Senhor, Pai, e, por Cristo, eu confio em sua obra em mim e por mim. O mesmo poder e glória que o Senhor usou para ressuscitá-lo dentre os mortos, o Senhor usará para me ajudar Nesta promessa de graça futura, eu creio e nisto eu espero. É este poder que torna minha vida nova. Ó, Cristo, como me glorio no que meu batismo representa! Obrigado por morrer minha morte e conceder nova vida a mim. Amém”.


1 Relatos do Alvorecer. NT.

2 Com esta expressão: “Ele bebeu o tanque”, o autor deseja expressar a magnitude e a intensidade do sacrifício e do sofrimento de Cristo. Na verdade, ele faz uso de um trocadilho. Ele faz do cálice de Cristo um “tanque”. O que, convenhamos,é bastante didático. NT.

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