Definições e observações a respeito da segunda vinda de Cristo

Este é um breve e resumido documento destinado a esclarecer a minha posição, mas não de forma exaustiva. As questões e os argumentos são tantos, que não poderíamos tratar de todos em uma só noite.

Deixe-me sublinhar que a discordância entre o pré e o pós-tribulacionismo não algo que deveria ameaçar nossa irmandade. Não deve ser um fator de divisão. As coisas nas quais estamos de acordo são muito extraordinárias, como por exemplo a supremacia em nossos corações do amor pelo Senhor e sua vinda. Não vamos fazer da segunda vinda um foco de polêmica, mas um motivo de adoração, sincera esperança e confiança libertadora para o ministério diante de nós!

Definições

Segunda Vinda

Hb 9:28: "assim também Cristo, oferecendo-se uma só vez para levar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação."

Uma referência geral à vinda final de Cristo, do céu à terra, para estabelecer seu glorioso reino.

Arrebatamento

Essa palavra não é mencionada na Bíblia. Mas refere-se ao apanhar instantâneo dos crentes da terra, mencionado em I Ts 4:17:

“Depois nós, os que ficarmos vivos seremos arrebatados juntamente com eles, nas nuvens, ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor.”

Tribulação

Uma palavra comum para referir-se às dificuldades e sofrimentos que o povo de Deus sempre irá passar:

“confirmando as almas dos discípulos, exortando-os a perseverarem na fé, dizendo que por muitas tribulações nos é necessário entrar no reino de Deus.” (At 14:22)

“para que ninguém seja abalado por estas tribulações; porque vós mesmo sabeis que para isto fomos destinados” (1 Ts. 3:3 -4; cf. 2 Ts. 1:4)

Jesus refere-se mais especificamente ao período da “grande tribulação” no fim desta era:

“porque haverá então uma tribulação tão grande, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem jamais haverá.” (Mt 24:21)

“Logo depois da tribulação daqueles dias, escurecerá o sol, e a lua não dará a sua luz; as estrelas cairão do céu e os poderes dos céus serão abalados. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem (...)” (Mt 24:29-30)

Sete anos

Que a tribulação durará sete anos o Novo Testamento não ensina. Isso está escrito em Daniel 9:24-27, quando Daniel prevê “setenta semanas de anos” para o cumprimento da redenção divina.

O argumento é tão detalhado e bem construído que nós não temos tempo agora para expô-los. Mas muitos argumentam que a septuagésima semana de Daniel é separada das primeiras 69 e começa com o aparecimento do anticristo ou homem da iniquidade. É daí que a idéia dos sete anos de tribulação vem. O livro do Apocalipse, do Novo Testamento, utiliza essa idéia muitas vezes em suas referências aos 3 anos e meio (11:3; 12:6; 13:5).

O arrebatamento pré-tribulacionista

É a visão que, antes da volta de Cristo em glória, ele virá secretamente para buscar sua igreja e nos levar para o céu. Isso aconteceria antes da tribulação, por isso é chamado arrebatamento PRÉ-tribulacionista.

O arrebatamento pós-tribulacionista

É a visão que o arrebatamento e a gloriosa segunda vinda são parte de um mesmo evento. Os santos são elevados ao encontro do Senhor nos ares e o acompanham de volta como justo Rei da terra. Isso implica o fato da igreja passar pela tribulação na terra.

Milênio

O período de tempo mencionado em Apocalipse 20:4 durante o qual os santos “reinam com Cristo por mil anos”. Durante esse tempo Satanás estará acorrentado e será jogado num poço “para que não enganasse mais as nações até que os mil anos se completassem” (Ap 20:3). O milênio é, então, marcado pela paz e prosperidade do povo de Deus. Após esse tempo virão novos céus e nova terra (Ap 21:1; 2Pe 3:13).

Pré-milenismo

É a visão que a segunda vinda de Cristo precede o milênio e que ele reinará pessoalmente e fisicamente na terra durante os mil anos.

Pós-milenismo

É a visão que o milênio virá através do sucesso do evangelho, convertendo gradualmente o mundo e resultando em uma era dourada da igreja. Após um longo período de paz e justiça haverá uma revolta do mal e Cristo virá pessoalmente para conquistar a vitória.

Amilenismo

É a visão que os mil anos de Apocalipse 20 é um simbolismo da era da igreja na qual vivemos hoje. Não haverá milenio terreno. Assim a segunda vinda ensejará a fase final, novos céus e nova terra.

ARGUMENTOS PÓS-TRIBULACIONISTAS

1. A palavra para “encontro” com o Senhor nos ares em 1 Tessalonicenses 4:17 (apantesin) é usada em dois outros lugares no Novo Testamento: Mateus 25:6 e Atos 28:15. Nos dois textos refere-se ao encontro no qual pessoas vão ao encontro de um dignatário e então acompanhá-lo ao lugar do qual vieram. Em um deles, Mateus 26:6, é até mesmo uma parábola sobre a segunda vinda, tornando este argumento muito forte no sentido de que é o mesmo “encontro” aqui em Ts 4:17 – que seremos levados ao encontro do Senhor nos ares e então o saudaremos na terra como Rei.

2. As palavras de 2 Tessalonicenses 1:5-7, quando lidas cuidadosamente, mostram que Paulo espera enfatizar o descanso no sofrimento ao mesmo tempo e no mesmo evento que espera que os não-crentes recebam punição, nominalmente, com a revelação de Jesus com anjos flamejantes. Essa revelação não é o arrebatamento pré-tribulacionista, mas a gloriosa segunda vinda. Isso significa que Paulo não espera um evento no qual ele e outros crentes teriam descanso por 7 anos antes da gloriosa aparição de Cristo em fogo. A vingança contra os incrédulos e descanso para a igreja perseguida vem no mesmo dia e no mesmo evento.

3. O texto de 2 Tessalonicenses 2:1-2 sugerem que a “reunião com Ele” é o mesmo que “Dia do Senhor”, sobre o que eles estavam confusos. Mas a reunião é o “arrebatamento” e o “Dia do Senhor” é a gloriosa segunda vinda. Parecem ser um só evento. Embasando isso temos a referencia de “reunião” dos eleitos em Mt 24:31. Aqui também temos uma reunião (mesma palavra), mas claramente com um contexto pós-tribulacionista. Assim, não há necessidade de vermos a “reunião” e o “Dia do Senhor” em 2 Ts como eventos separados.

4. Se Paulo era um pré-tribulacionista, por que ele simplesmente não diz em 2 Ts 2:3 que os cristãos não tinha necessidade de se preocupar com o “Dia do Senhor” pois todos os cristãos ainda estavam aqui? Ao invés disso, ele fala como um pós-tribulacionista falaria. Ele lhes fala que não deveriam pensar que o “Dia do Senhor” tinha chegado porque a apostasia e o iníquo não tinham aparecido.

5. Quando você lê Mateus 24, Marcos 13 ou Lucas 21, que são descrições de Jesus do fim dos tempos, não há menção de um arrebatamento removendo os crentes dos eventos finais. Um leitor normal não teria qualquer impressão da “partida”. Ao contrário, ele fala como se os ouvintes e leitores crentes fosse ou pudessem experimentar as coisas mencionadas. Veja Mt 24:4, 9, 15, 23, 25 e seguintes, 33, etc.

6. Passar por tribulações, até mesmo quando são suscitadas por Deus, não é contrário ao ensinamento Bíblico. Veja especialmente 1 Pe 4:17; 2 Ts 1:3-10; Hb 12:3-11. Mesmo assim, Ap 9:4 sugere que os santos serão protegidos na mesma medida no período de angústia selado por Deus.

7. O mandamento de “vigiar” não perde o sentido se a segunda vinda acontecer em qualquer outro momento. Veja Mt 25:1-13, no qual todas dez virgens estão dormindo quando o Senhor retorna. Ainda assim a lição ao final da parábola é “Vigiai!”. O ponto é que vigiar não é esperar pela volta do Senhor a qualquer momento, mas uma vigilância moral que te mantém pronto todo o tempo fazendo seu dever – as virgens sábias tinham as lanternas abastecidas! Elas vigiaram!

O ensinamento bíblico de que a segunda vinda será inesperada perde sua força se o pós-tribulacionismo estiver certo. Veja Lucas 12:46, onde o ponto é que se o servo se embebeda pensando que seu mestre está atrasado e não o pegará, esse mesmo servo será surpreendido. Mas 1 Ts 5:1-5 diz: “Mas vós, irmãos, não estais em trevas, para que aquele dia, como ladrão, vos surpreenda.” Nós ainda ensinamos que uma grande vigilância e prontidão moral são necessárias para que não durmamos e caiamos nos enganos dos últimos dias, sendo levados para julgamento.

8. O texto pré-tribulacionista mais forte, Ap 3:13, é aberto a uma outra interpretação sem qualquer confusão. Diz: “Porquanto guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para pôr à prova os que habitam sobre a terra”. Mas “te guardarei da hora da provação” não é necessariamente ser retirado do mundo durante essa hora e, assim, ser poupado do sofrimento. Compare com Gl 1:4 e a oração de Jesus pelos seus discípulos em João 17:15, no qual “guardar” não significa remoção física. Note que é inevitável o martírio em Ap 6:9-11. A promessa é ser guardado da hora no sentido de ser guardado das forças desmoralizantes deste período.

9. A segunda vinda não perde seu valor moral no pós-tribulacionismo. O incentivo moral do Novo Testamento não é que nós devemos temer sermos pegos fazendo o mal, mas que nós devemos amar tanto a volta do Senhor que queremos estar puros como o Senhor é puro, por quem também esperamos, conforme João 3:1-3 diz.

Traduzido por Lucas Sabatier Marques Leite