Um Encontro Alegre com Josef Tson

Colegas na mesma visão sobre o sofrimento

Regozijei-me por duas horas com o Dr. Josef Tson em meu escritório, na quarta-feira, 31 de janeiro de 1996. Naquela época, o Dr. Tson, que morava em sua terra natal, a Romênia, era o presidente da Sociedade Missionária da Romênia e presidente do Instituto Bíblico Emanuel, em Oradea (Romênia). Quando ouvi que ele estava em nossa cidade, apressei-me em ter um momento com ele, porque seu artigo “Teologia do Martírio” me comovera profundamente vários anos antes.

Na primavera de 1972, quando ele estava concluindo sua graduação em teologia, em Oxford, foi advertido de que, se retornasse à Romênia comunista, provavelmente seria preso, encarcerado e, talvez, morto. Ele deveria retornar para casa?

Naquela época, um dos professores mais populares de teologia, em Oxford, era G. B. Caird. Eu apreciava assistir às aulas dele, para absorver seus comentários sobre os diferentes livros do Novo Testamento... Tinha em mãos seu comentário sobre o livro de Apocalipse. Foi esse livro que me introduziu no ensino bíblico sobre o martírio. Foi ali que eu vi como Deus sempre conquista por meio de um amor altruísta e sacrificial. Foi ali que entendi o método de Deus de enviar seu Cordeiro ao mundo, seguido por milhares de outros cordeiros, para vencer o mundo por proclamarem o amor de Deus e morrerem por amor à sua proclamação. Este admirável princípio bíblico de que Deus sempre vence por meio do povo que pregará o evangelho e morrerá por ele me ajudou, sobremaneira, a ser capaz de retornar à Romênia. Deu-me a análise racional firme que eu necessitava para enfrentar o perigoso retorno ao lar. Sustentado por esse ensino, preguei, ensinei, escrevi durante quase uma década, pronto para ser martirizado pelo que estava fazendo, reconhecendo que a morte seria minha arma suprema de vitória e meu caminho para a glória mais sublime, no céu (Prefácio a Josef Tson, Suffering, Martyrdom, and Rewards in Heaven, Lanhan: University Press of America, 1997, p. xi-xii).

Que tempo admirável tivemos juntos naquela tarde, no mês de janeiro. Nunca havia experimentado algo semelhante. Não houve quase nenhuma conversa trivial. Logo fomos absorvidos pelos sublimes assuntos do sofrimento e da teologia bíblica. Numa consideração superficial, ele desaprovou veementemente o meu termo “hedonismo cristão”, que defendo e descrevo em meu livro Desiring God: Meditations of a Christian Hedonist (Sisters, Ore.: Multnomah Publishers, 1996). Uma pessoa não sofre às mãos do comunismo e aceita facilmente qualquer coisa chamada “hedonismo”.

Mas, numa consideração profunda (sobre a qual conversamos rapidamente), houve um coleguismo quase instantâneo. A certa altura de nossa conversa, ele me surpreendeu, ao levantar-se, dar dois passos em minha direção e, com um grande sorriso, apertar a minha mão, por causa do deleite que sentira por concordarmos teologicamente em relação ao papel do sofrimento e da renúncia no plano de salvação e no término da Grande Comissão. Em anos recentes, tenho chegado cada vez mais à conclusão de que o sofrimento está no âmago do que significa ser um cristão e fazer missões.

O Dr. Tson falou-me sobre o seu relacionamento pessoal com Martyn Lloyd-Jones (famoso pastor em Londres), que morreu em 1981. Contou-me que era o único estrangeiro nas reuniões de pastores, realizadas às segundasfeiras, quando ainda estudava em Oxford. Ele conhecia o doutor pessoalmente; e Lloyd-Jones lhe disse que, juntamente com sua esposa, orava regularmente por ele, Josef Tson.

A respeito de gozo, o Dr. Tson disse que, em certa ocasião durante a opressão na Romênia, sua casa foi vasculhada pelos oficiais comunistas, porque ele era um pastor. Quase todos os seus livros foram confiscados. Ele disse que os soldados precisavam de provas de que estavam recebendo os livros dele mesmo. Por isso, disseram-lhe que sentasse à mesa e dedicasse por escrito cada livro achado em sua casa. Depois, ele precisou autografar o livro, enquanto os soldados tiravam fotos dele. Em um momento daquele processo tenso, o Dr. Tson pegou um livro cujo título era “Gozo Indizível e Plenitude de Glória”, que tinha o subtítulo “Esta é a sua Experiência Agora?”

Enquanto lia o título, o Dr. Tson fez a si mesmo aquela pergunta e — naquele momento — foi enchido pelo Espírito com um admirável gozo. A mudança foi tão profunda, que ele pediu a sua esposa que trouxesse café para os soldados e ficou livre de sua raiva e temor. Ele ainda tinha de pregar naquela semana. Toda a sua igreja sabia que ele havia sido despojado de seus livros e estava sendo interrogado diariamente pelas autoridades, de modo que não tivera tempo de preparar-se para a pregação. Quando ele pregou, falou sobre “a alegria do senhor é a vossa força” (Neemias 8.10). Disse que um dos homens foi tão cativado pela intensa força de seu regozijo, em meio àquela atmosfera de sofrimento, que não pode ouvir nada além do texto e foi quebrantado e profundamente mudado.

Senhor, agradeço-te pelo encontro e por Josef Tson. Peço-te que eu seja fiel à tua chamada e que a alegria do Senhor seja a força que me liberta, para amar os que me perseguem e pregar a verdade (quer chamem esta alegria de Hedonismo Cristão, quer não). Amém!

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