Discernimento por Meio do Desejo

Achando a vontade de Deus por meio da fragrância do Santo

Muitas das escolhas que fazemos em um dia não são determinadas de conformidade com uma avaliação consciente de uma lista de critérios. Comemos, nos vestimos, andamos e fazemos muitas outras coisas sem perguntarmos conscientemente: isto é a vontade de Deus? Creio que isso é bom e inevitável. Revela a nossa natureza interior. Se temos de fazer o que agrada a Deus, na maioria das vezes isso ocorrerá por reflexo, e não por reflexão.

Isto significa que uma capacidade de discernimento é mais profunda do que a razão reflexiva. Que capacidade é essa? Talvez possamos chamá-la de capacidade de discernir o desejo. Se escolhas estão sendo feitas, momento após momento, sem ponderação, a capacidade de desejo não está apenas seguindo os ditames da razão; está seguindo o seu próprio arbítrio. O desejo, ou algo muito relacionado a ele, sente a fragrância da escolha preferida e aceita, antes de refletir.

Embora eu tenha pensado sobre isso por muito tempo, depois que li sobre este assunto na obra de Jonathan Edwards, percebo com mais clareza que este método de escolher parece aplicar-se até a escolhas que fazemos mesmo depois de havermos pensado demoradamente. Suponha que você é parte de uma assembléia que escolherá um novo pastor para a igreja. Um dos passos a tomar seria meditar na natureza de Deus, nos caminhos de Deus e nos mandamentos de Deus apresentados na Bíblia. Outro passo seria extrair da Bíblia certas orientações que ela não aborda de modo explícito. Isto exige “sabedoria”, e devemos orar para obtê-la, conforme Tiago 1.5.

É claro que isso pressupõe que, além do ensino das Escrituras, estamos
ao mesmo tempo, observando todos os fatos relevantes da situação. No caso de um novo pastor, por exemplo, você deve atentar ao seu caráter, vida espiritual, habilidade de pregação, capacidades pastorais, formação cultural, personalidade, reputação, e assim por diante. Este é o material com o qual os princípios bíblicos terão de lidar.

No entanto, parece-me que existe um momento em que, apesar de todo o ensino bíblico aplicado, e toda a atenção executada, e toda a sabedoria buscada em oração, muitas escolhas (muitos candidatos) são rejeitadas. O círculo de possíveis escolhas que restam é muito pequeno. Contudo, nesse círculo, ainda há várias escolhas boas, e não somente uma. Nossa mente finita não sabe tudo que Deus sabe, e estamos no limite do que podemos discernir, com oração, por meio da meditação espiritual sobre a Bíblia, a pessoa e as circunstâncias.

Deus poderia falar conosco por meio de um sonho, ou de uma mensagem profética, ou de algum outro meio de revelação, como Ele o fez a Filipe, conforme Atos 8.26, ou a Paulo, conforme Atos 16.9. Mas Ele pode não fazer isso. E parece que esta é a sua maneira normal de nos guiar. Então, o que devemos fazer?

O que estou percebendo com mais clareza nestes dias é o seguinte: devemos fazer o que fazemos em 90% do tempo, quando somos guiados pelo Espírito de Deus. Permitimos que nossos desejos moldados pelo Espírito sejam nosso guia. Devemos discernir por meio do desejo. Em outras palavras, quando reduzimos nossas escolhas a um pequeno círculo, limitado por princípios bíblicos, sabedoria espiritual e observação cuidadosa, nesse círculo perguntamos em oração: em que escolha nos deleitamos? De acordo com Salmos 1.1-2, a maneira de evitar que andemos no conselho dos ímpios é deleitar-se na Lei do Senhor. Nossa capacidade de deleite é crucial em preservar-nos da tolice.

Pressupomos, neste caso, que a nossa capacidade de deleite ou de desejar é saudável e está saturada por Deus. Este é o grande desafio da vida cristã: ser transformado pela renovação da mente, para aprovarmos [e não apenas provarmos, mas aprovarmos, ou seja, testarmos e nos deleitarmos em] a vontade de Deus (Romanos 12.2). Nossa grande necessidade é sermos pessoas cujos deleites são os próprios deleites de Deus.


Em parceria com Editora Fiel.

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