A Enorme Ignorância de Deus

Quando Deus Não Sabe As Futuras Escolhas do Homem

No que segue, quando eu me refiro à sabedoria de Deus eu quero dizer seu conhecimento certo, não sua extraordinária habilidade de deduzir probabilidades a partir de fatos conhecidos. Na visão que eu estou preocupado em entender, ou seja, a visão de Greg Boyd e outros, a respeito da presciência de Deus, o que está sendo negado é a certeza de Deus em relação a vontades futuras dos seres humanos, e o que é afirmado é a capacidade humana de contradizer as melhores previsões de Deus, por causa da capacidade dada por Deus do livre-arbítrio criativo.

Deus não saber futuras vontades dos homens não é uma ignorância pequena mas grande, inimaginavelmente grande. É, por exemplo, não uma ignorância periódica, mas contínua, não uma ignorância exígua, mas universalmente humana; não uma ignorância insignificante, mas tremendamente significante; não uma ignorância limitada, mas uma ignorância ampla (considerando todas as coisas que uma pessoa pode escolher).

1. Ignorância Ampla

É uma ignorância ampla. Em todos os momentos acordados (e talvez nos meus sonhos também) minha vontade está se inclinando de um jeito ou de outro para pensar este ou aquele pensamento, apreciar ou resistir esta ou aquela emoção ou atitude, falar esta ou aquela palavra, movimentar o corpo neste ou naquele modo. De todos esse atos diversos de mente, emoção e corpo, Deus é ignorante bem no ponto verdadeiro de vontade que os faz ou molda. Então, Deus não sabe com certeza meus pensamentos, a plenitude da natureza das minhas emoções ou atitudes, minhas palavras ou meus atos corporais um segundo antes de eles acontecerem. Sua ignorância é tão ampla quanto os aspectos da vida afetados pela vontade humana.

Isso também incluiria não apenas os pensamentos, emoções, atitudes, palavras e obras acontecendo em mim, mas também todos os efeitos que vêm de todos os atos da minha vontade. Portanto, a diversidade da ignorância se expande aos efeitos físicos no meu corpo que realmente resultam dos meus pensamentos e emoções, e os efeitos das minhas emoções em todas as outras pessoas e coisas na minha vida. (Deus pode saber quais efeitos viriam se eu liberasse e não resistisse a ira, alegria, gratidão ou lascívia, mas ele não consegue saber os efeitos verdadeiros nas pessoas ou nas coisas). Deus não sabe se minha ira não resistida vai resultar em uma palavra de baixo calão, um olhar com desprezo, um golpe com a mão fechada ou o puxão de um gatilho. Ele não sabe se meu desânimo não resistido vai resultar em falta no trabalho, suicídio ou abandono do casamento. Ele não sabe se a minha palavra escolhida vai ser uma que salva vidas (como quando minha esposa gritou "Johnny!" quando eu comecei a avançar no trânsito de Cambridge alguns anos atrás) ou destruir vidas (como quando um líder de gangue diz: "Atira!"). Ele não sabe se minhas obras escolhidas vão fazer um avião bater ou ser a causa de uma lei ser aprovada.

É também evidente, portanto, que a imensa diversidade da ignorância de Deus libera uma até mais imensa ignorância da diversidade de efeitos resultantes de cada pensamento desconhecido, emoções, palavras, e obras. Qualquer vontade, ao produzir ou moldar pensamentos, emoções, palavras e obras, é como a bola branca que atinge um triângulo de bolas de bilhar. O caminho para qualquer uma é previamente desconhecido por Deus. Isso, eu digo, é uma imensa ignorância porque muitos dos eventos no mundo emocional, intelectual, verbal e material são causados ou moldados por atos da vontade humana diretamente ou indiretamente. De todas estas incontáveis coisas, Deus é ignorante até que elas de fato aconteçam.

2. Ignorância Universalmente Humana

Agora multiplique a imensa diversidade da ignorância de Deus em relação a meus pensamentos, emoções, palavras e obras vezes todos os seres humanos no mundo. Não apenas existe uma grande ignorância divina em relação a minha vida ampla de pensamentos, emoções, palavras e obras, mas ele é também ignorante de tudo isso em qualquer pessoa que tenha vontades em qualquer lugar. Raça, idade, intelecto, sexo, educação ou tribo não limitam a ignorância dele. Tão longe quanto a diversidade na natureza humana e extensão cultural, a ignorância de Deus se estende em relação a que pensamentos, emoções, atitudes, palavras, e obras qualquer pessoa vai escolher ou moldar pela sua vontade. Em qualquer lugar, em todos os tempos, Deus é ignorante de todas as vontades e seus efeitos até o instante em que eles são realizados pelas nossas vontades criativas.

3. Ignorância Contínua

Eu disse acima que Deus é ignorante sempre sobre o que as vontades são até o futuro. Deixe a magnitude dessa ignorância penetrar. Sua ignorância dos meus pensamentos, emoções, atitudes, palavras e obras do instante em que acontecem é seguida por uma ignorância que continua bem no próximo instante de quais pensamentos, emoções, atitudes, palavras e obras podem ser levadas a passar ou moldadas imediatamente nos calcanhares dos atos recém realizados. Portanto, o instante em que Deus ganha conhecimento dos meus pensamentos, emoções, palavras e obras, a extensão e durabilidade do que agora ele sabe são desconhecidas uma vez que podem ser afetadas deste ou daquele jeito pela vontade do próximo instante. Nessa dimensão, Deus não está acumulando conhecimento útil com cada vontade instantaneamente atualizada, mas é importunado a cada segundo por um implacável e infinito ataque violento de imensa ignorância que de fato causa o conhecimento que ele acabou de ganhar se tornar de uso incerto uma vez que seus possíveis efeitos no mundo de novas vontades incessantes são também desconhecidos por ele.

Por exemplo, Deus descobre que um homem escolhe desviar o seu carro no trânsito no instante em que a escolha é feita e o carro desvia; mas esse conhecimento é de pouco uso porque é possível que na próxima fração de segundo o livre-arbítrio do homem deseje que ele desvie de volta de modo que se Deus devesse miraculosamente empurrar um carro que está vindo na direção do homem para o acostamento com um sopro de vento, o homem pode naquele exato momento querer desviar o seu carro para o acostamento também. E, assim, a livre-agência, a cada segundo, do vontade do motorista corre na frente do conhecimento de Deus e o mantêm continuamente sem equilíbrio e ignorante até que o acidente ocorra ou não. Essa ininterrupta ignorância de Deus é, portanto, imensa.

4. Ignorância Tremendamente Significante

A ignorância das vontades futuras do homem não é ignorância insignificante. Aparte dos eventos puramente naturais como vento, chuva, iluminação, calor do verão, frio do inverno, envelhecimento, gravidade, moção subatômica de elétrons, comportamento animal, etc, virtualmente toda a realidade significativa na vida, família, sociedade e nações é fruto da vontade humana. Toda tecnologia, dinâmica familiar, vida eclesiástica, legislação, afazeres militares, telecomunicações, mídia, literatura, drama, teatro, arquitetura, transporte, produção de alimentos, utilidades, etc, são criados, moldados, sustentados e guiados por meio de vontades humanas momento a momento. De tudo isso Deus é ignorante até que aconteça. Portanto, a indústria inteira da cultura em todo o seu imenso significado está sendo costurado sem o conhecimento de Deus de como cada momento, hora, dia, mês, ano e década tomará forma.

5. Pergunta Final

É este o Deus da Bíblia? Eles provavelmente diriam que Deus pode até planejar e governar, porque humanos também podem planejar e governar muito embora sejam ignorantes assim. Só Deus pode entender todas as influências relevantes e, então, está muito mais ciente das probabilidades do que o homem e, portanto, pode planejar muito melhor do que o homem. Em outras palavras, Deus tem o mesmo tipo de conhecimento que o homem tem, apenas ele é melhor. Ele pode formular mais prognósticos prováveis em relação ao que o homem está prestes a fazer. Porém, é provável que ele seja surpreendido milhões de vezes. Assim, como condição para que o homem realmente esteja livre e criativo e não governado por circunstância ou genética, Deus compartilha da imensa ignorância descrita acima.

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