Glorificando a Deus com o dinheiro

32 Não temais, ó pequenino rebanho; porque vosso Pai se agradou em vos dar o reino. 33 Vendei vossos bens e dai esmola; fazei para vós bolsas que não desgastem, tesouro inextinguível nos céus, aonde não chega o ladrão, nem a traça o consome, 34 porque onde está o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração.

A essência interior da adoração é apreciar a Deus como infinitamente valioso acima de tudo. As formas exteriores de adoração são atos que mostram o quanto apreciamos a Deus. Portanto, tudo na vida tem o sentido de adorar porque Deus disse: Se comerdes ou beberdes ou fizerdes outra coisa qualquer, façam isto para mostrar quão valiosa é a glória de Deus para você (1 Coríntios 10,31). Dinheiro e coisas são grande parte da vida e, por conseguinte, Deus deseja que eles sejam grande parte da adoração, visto que tudo na vida precisa ser uma expressão de adoração. Assim, a forma que você adora com seu dinheiro e suas posses é para tê-los, usá-los e perdê-los de um modo que mostre o quanto você aprecia a Deus, não o dinheiro. Este texto trata exatamente disso. Ele realmente é um texto sobre adoração.

Então, há um lugar para a adoração comunitária — que fazemos aqui, juntos, no domingo de manhã. E as mesmas definições são válidas aqui como em qualquer outro lugar: a essência da adoração é o tesouro interior, que é o Deus infinitamente valioso. E as formas de adoração são os atos que expressam esse tesouro interior, que é Deus. Esses atos são: pregação e ouvir a palavra de Deus, oração, cantar, doar, participar da Ceia do Senhor, e assim por diante. Um desses atos de adoração comunitária aqui em Bethlehem é o que chamamos “a oferta”. Um conceito próximo do meio termo de nossa adoração comunitária quando adoramos com nosso dinheiro, ao retirá-lo de nosso poder e de nossos bancos para aplicá-lo na missão e ministério de Cristo.

Desse modo, esse ato particular de adoração no culto de adoração comunitária é uma pequena parte do padrão mais abrangente de adoração com o nosso dinheiro que fazemos todo o dia, pela forma como ganhamos, gastamos, poupamos e doamos nosso dinheiro. O texto de hoje, Lucas 12,32-34, trata do padrão maior com respeito a como adoramos com nosso dinheiro, e, assim, por implicação, ele se relaciona ao que fazemos com nosso dinheiro na adoração comunitária também. Portanto, vamos examinar alguns dos principais conceitos neste texto e aplicá-los às nossas vidas, em geral, e à nossa doação comunitária, em particular.

Não tema

O primeiro conceito do texto no versículo 32 é que Deus nos ordena a não temer quando algo acontecer relacionado ao dinheiro e as coisas. Não se preocupe. Não tema. “Não temais, ó pequenino rebanho; porque vosso Pai se agradou em vos dar o reino”. Entretanto, há outra forma de dizer o conceito que é mais profunda. A razão pela qual Deus deseja que não temamos, no que concerne ao dinheiro e as coisas, é porque a falta de temor adoraria cinco grandes verdades sobre ele. Não temer ecoaria o quanto apreciamos essas cinco verdades a respeito de Deus. Em outras palavras, não temer se tornaria um belo ato interior de adoração.

Primeiro, não temer demonstra que apreciamos a Deus como nosso pastor. “Não temais, ó pequenino rebanho”. Somos seu rebanho e ele é nosso pastor. E se ele é nosso pastor, então o Salmo 23 se aplica: “O Senhor é meu pastor, nada me faltará”. Isto é, nada irá nos faltar do que necessitamos. Não temer, amplia a preciosidade de nosso pastor.

Segundo, não temer demonstra que apreciamos a Deus como nosso Pai. “Não temais, ó pequenino rebanho, porque vosso Pai se agradou em vos dar o reino”. Não somos apenas seu pequenino rebanho; somos também seus filhos e ele é nosso Pai. O significado é claro no versículo 30: “Porque os gentios de todo o mundo procuram essas coisas; mas vosso Pai sabe que necessitais delas”. Em outras palavras, seu Pai realmente se preocupa e realmente sabe do que você precisa e trabalhará para você ter certeza de que terá que necessita. Apenas tome cuidado para não ditar a Deus o que você pensa ser sua necessidade em vez de saber o que ele pensa ser sua necessidade.

Terceiro, não temer mostra que apreciamos a Deus como rei. “Não temais, ó pequenino rebanho, porque vosso Pai se agradou em vos dar o reino”. Ele pode nos dar o “reino” porque ele é o rei. Isso acrescenta um elemento formidável do poder daquele que provê para nós. “Pastor” denota proteção e provisão. “Pai” denota amor, ternura, autoridade e provisão e orientação. “Rei” implica poder, soberania e riqueza. Desse modo, se ainda confiamos em Deus como Pastor, Pai e Rei e não tememos as coisas e a falta de dinheiro, então vamos lhe mostrar como o Deus real e precioso é para nós em todas essas circunstâncias. Deus será adorado.

Quarto, não temer revela como Deus é liberal e generoso. “Não temais, ó pequenino rebanho, porque vosso Pai se agradou em vos dar o reino”. Observe, ele dá o reino. Ele não o vende ou o aluga ou o arrenda. Ele dá o reino. Ele é infinitamente rico e não necessita de nossos pagamentos. Qualquer coisa que tentemos dar a ele já seria dele de qualquer forma. “O que tens tu que não tenhas recebido?” (1 Coríntios 4,7). Por conseguinte, Deus é generoso e livre com sua riqueza. É por isso que o louvamos quando não tememos, mas confiamos nele com nossas necessidades.

Finalmente, não temer demonstra que apreciamos a Deus como o Deus feliz. “Não temais, ó pequenino rebanho, porque vosso Pai se agradou em vos dar o reino”. Deus “se agradou”. Dar o reino o “agrada”. Ele deseja fazer isso. E fazê-lo, “agrada-o”. Nem todos nós temos pais como este — que ama nos dar coisas, fica alegre por nos dar em vez de receber. Mas isto não importa, porque agora você pode ter um Pai como este, Pastor e Rei. Confie nele como seu Pai por meio da obra reconciliadora de Jesus, e o verá como seu Pai.

Desse modo, o primeiro conceito deste texto é que deveríamos apreciar a Deus como nosso Pastor, Pai e Rei, que é generoso e feliz para nos dar o reino de Deus — para nos dar o céu, a vida eterna e alegria e tudo de que precisamos para estar ali. Se apreciarmos a Deus dessa maneira — se confiarmos nele — não teremos medo e Deus será adorado. Esse é o fundamento de todo o restante deste texto e deste sermão. O que está para acontecer é possível em virtude de sua promessa.

Um impulso em direção à simplicidade em vez da acumulação

O segundo conceito é este: confiar em Deus dessa maneira acarreta um forte impulso em direção à simplicidade em vez da acumulação. O versículo 33: “Vendei vossos bens e dai esmola; fazei para vós bolsas que não desgastem, tesouro inextinguível nos céus, aonde não chega o ladrão, nem a traça o consome”. Foque por um momento nas palavras: “Vendei vossos bens”. Com quem ele estava conversando? O versículo 22 nos fornece a resposta: “A seguir, dirigiu-se Jesus a seus discípulos, dizendo”. De modo geral, essas pessoas não eram ricas. Não tinham muitos bens. No entanto, ela ainda diz: “Vendei vossos bens”. Ele não diz quantos bens vender. Para o jovem rico, ele diz: “Vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro nos céus; depois, vem e segue-me”. Vende tudo o que tens. Quando Zaqueu encontrou Jesus, ele disse: “Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais” (Lucas 19,8). Assim, Zaqueu deu 50% de seus bens. Em Atos 4,37, afirma-se: “Barnabé, como tivesse um campo, vendendo-o, trouxe o preço e o depositou aos pés dos apóstolos”. Portanto, ele vendeu pelo menos um campo.

Assim, a Bíblia não nos diz quantos bens devemos vender. Mas por que ela diz para vender os bens? Por quê? Dar donativos — usar seu dinheiro para mostrar amor por aqueles sem as provisões e sem o Evangelho (a necessidade de vida eterna) — é tão importante que, se você não tem ativos líquidos para doar, deve vender alguma coisa para que possa doar. Entretanto, agora, pense o que significa no contexto. Esses discípulos não são pessoas ricas e cujo dinheiro é todo convertido em hipotecas e bens imóveis. A maioria das pessoas como essas, de fato, tem quantias razoáveis de dinheiro economizadas. Mas Jesus não disse: “Pegue alguma de suas economias e dê esmolas”. Ele disse: “Vendei vossos bens e dai esmola”. Por quê? A simples pressuposição é de que essas pessoas viviam bem próximas da realidade na qual não tinham dinheiro em espécie para dar e tinham que vender algo para que pudessem viver. E Jesus queria que seu povo se movesse em direção à simplicidade e não em direção ao acúmulo de bens.

Assim sendo, qual é o conceito? O conceito é que há um impulso na vida cristã em direção à simplicidade em vez da acumulação. O impulso procede de apreciar a Deus como o Pastor, Pai e Rei mais que apreciamos todos os nossos bens. E o impulso é um forte impulso por duas razões. Uma é que Jesus afirmou: “Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas!” (literalmente: aqueles que têm bens) (Lucas 18,24). Em Lucas 8,14, Jesus disse que as riquezas “sufocam” a palavra de Deus. Mas queremos entrar no reino muito mais que desejamos as coisas. E não queremos a palavra de Deus sufocada em nossas vidas. Desse modo, há um forte impulso para simplificar em vez de acumular. A outra razão é querermos que a preciosidade de Deus seja manifesta ao mundo. E Jesus nos diz que vender os bens e dar esmolas é uma forma de mostrar que Deus é real e precioso como Pastor, Pai e Rei.

Assim, o segundo conceito é que, confiar em Deus como Pastor, Pai e Rei, transmite um forte impulso em direção à simplicidade em vez da acumulação. E isso revela a adoração do interior, do recôndito do coração em ações mais visíveis para a glória de Deus.

O aumento do nosso tesouro nos céus, não na terra

O terceiro conceito desse texto é que o propósito do dinheiro é aumentar nosso tesouro nos céus, não na terra. O versículo 33 novamente: “Vendei vossos bens e dai esmola; fazei para vós bolsas que não desgastem, tesouro inextinguível nos céus, aonde não chega o ladrão, nem a traça o consome”. Qual é a conexão entre vender os bens aqui para que possa satisfazer as necessidades dos outros (a primeira parte do versículo) e a acumulação do tesouro nos céus para você mesmo (no fim do versículo)?

A conexão parece ser: o modo como faz suas bolsas que não se desgastam e da forma como você acumula seus tesouros no céu que jamais acaba é mediante a venda de seus bens para suprir as necessidades dos outros. Em outras palavras, simplificar pelo amor na terra aumenta sua alegria nos céus.

Não deixe de compreender esse conceito totalmente radical. Essa é a forma como Jesus pensa e fala em todo o tempo. Ter a mente fixada no céu faz uma diferença radicalmente amável neste mundo. As pessoas mais poderosamente persuadidas, para as quais o que importa é o tesouro nos céus, não grandes acúmulos de dinheiro aqui, são as pessoas que constantemente sonham com formas de simplificar e servir; simplificar e servir; simplificar e servir. Eles darão e darão. E, é claro, trabalharão, trabalharão e trabalharão, como diz Paulo em Efésios 4,28, “para que tenha com que acudir ao necessitado”.

A conexão com adoração é esta: Jesus nos ordena a acumular tesouro nos céus, isto é, ampliar nossa alegria em Deus. Ele declara que a forma como fazemos isso é vender e simplificar em virtude dos outros. Desse modo, ele motiva a simplicidade e o serviço por nosso desejo de ampliar nossa alegria em Deus. Fato que significa que todo o uso do dinheiro se torna uma manifestação de quanto nos deleitamos em Deus acima do dinheiro e das coisas. E isso é adoração.

Seu coração se move em direção daquilo que você ama

Então, o último conceito esta manhã do texto é: seu coração se move em direção daquilo que você ama e Deus quer que você se mova em direção a ele. O versículo 34: “Porque onde está o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração”. Essa declaração é dada como a razão por que devemos buscar o tesouro nos céus, que jamais acaba: “Porque onde está o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração”. Se o teu tesouro estiver nos céus, onde Deus está, então é ali onde seu coração estará também.

Agora, o que este versículo, aparentemente simples, realmente diz? Considero que a palavra “tesouro” significa “o objeto amado”. E penso que a palavra “coração” significa “o órgão que ama”. Portanto, leia o versículo assim: “Onde o objeto que você ama estiver, ali estará o órgão que ama”. Se o objeto que você ama é Deus nos céus, seu coração estará com ele nos céus. Você estará com Deus. Mas se o objeto que você ama é o dinheiro e coisas na terra, então seu coração estará na terra. Você estará na terra, separado de Deus.

É o que Jesus quis dizer em Lucas 16,13, quando afirmou: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de se aborrecer de um e amar ao outro ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas”. Servir ao dinheiro é amar ao dinheiro e buscar todos os benefícios que ele pode oferecer. O coração vai à busca do dinheiro. Mas servir a Deus significa amá-lo e buscar os benefícios que ele pode nos conceder. O coração busca a Deus.

E isso é adoração: o amor do coração a Deus e a busca por ele como o tesouro acima de todos os tesouros.

A oferta: um ato de adoração

Concluo simplesmente por relacionar esses quatro conceitos ao ato de adoração comunitária que chamamos “a oferta”. Esse momento e esse ato em nosso culto será adoração para você, não importa a quantia — desde a moeda da viúva pobre ou os milhares do milionário — se, por doar, você diz do coração: 1) por meio desta oferta confio no Senhor, Deus, como meu feliz, generoso Pastor, Pai e Rei, de modo que não temerei quando tiver pouco dinheiro para suprir as necessidades dos outros; 2) por meio desta oferta, a pressão incrível de nossa cultura para acumular mais e mais, lanço meu destino com o impulso para a simplicidade por causa dos outros; 3) eu, por meio desta oferta, guardo o tesouro nos céus e não na terra para que minha alegria em Deus seja ampliada para sempre; e 4) com esta oferta, declaro que, desde que meu tesouro está no céu, meu coração busca a Deus.

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